
A descoberta estava quase acontecendo. A pirata Clara do Olho de Vidro já podia sentir o cheiro do ouro, dos cordões de pérola, da coroa da princesa que roubaria sem dó. Saltou de seu navio e mergulhou num mar de moedas de prata e anéis de diamantes.
- Estou rica - pensou.
Do outro lado da rua, Luiza, da mesma idade de Clara, não entendeu. Como podia uma garotinha brincar no meio de sacos de lixo e tanta sujeira? Suas bonecas eram muito mais interessantes. Apertou o nariz e virou a esquina agarrada a mão de sua mãe.
Enquanto isso, entre sacos plásticos e restos de objetos inúteis, Clara era a menina mais rica do mundo. A corajosa pirata do olho de vidro. Esse era o seu reino... Pelo menos até voltar a vender doces nos sinais e a pedir esmolas nas esquinas.
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Tenho um carinho especial por esse texto, não sei porque... Tenho uma tendência insopitável (aprendi essa palavra ontem e estava louca para usá-la!!) de escrever textos incrivelmente tristes. Tento assim, dar a eles um tom mais leve, tentando amenizar a tristeza que me causam... A suavidade, no entanto, muitas vezes acaba os tornando mais tristes ainda.
E é aí que gosto mais!
Vai entender... Freud ou Shakespeare devem explicar essa minha paixão por finais infelizes.
Beijos,
E é aí que gosto mais!
Vai entender... Freud ou Shakespeare devem explicar essa minha paixão por finais infelizes.
Beijos,
Juliana.
Juliana.
ResponderExcluirGostei muito da sua historia e principalmente do final que você chama de triste. Eu não o vejo assim. Deixe que o leitor decida se o final é triste ou não. Na sua história vejo um exemplo edificante na menina pobre que cria o seu mundo de fantasia com o qual sobrevive à dura realidade dos sinais de trânsito e das esquinas.
Luigi