quinta-feira, 22 de julho de 2010

Metrô faz mal a saúde!

Lembro que, ainda na escola, achava um pouco absurdo quando meus professores contavam que, "na época deles", os alunos levantavam toda vez que o professor ou alguém mais velho entrava na sala de aula. Segundo eles, era um sinal de respeito e educação.

Sempre que algum professor falava isso, pensava que era meio boba essa história de levantar para mostrar respeito. Respeito a gente demonstra no dia a dia.

Naqueles tempos, no entento, eu não tinha a noção de como o mundo - ou seriam as pessoas? -, começava a caminhar mal. Como o simples conceito de respeito e educação se transformou de tal forma, que foi preciso criar leis para que as pessoas sejam respeitosas e educadas.

Não é preciso ir muito longe para ver como as pessoas estão cada vez mais egoístas e nojentas, pobres de alma e de cabeça.

Pego o metrô praticamente todos os dias. Preciso dele para ir trabalhar.

Ali mesmo, todo dia de manhã, tenho ânsia de vômito com as atitudes dos seres humanos.

Por morar na zona sul, dificilmente os vagões que uso vêm lotados como latas de sadinhas, com gente saindo pela janela. Mas eles vêm razoavelmente cheios, com poucos ou nenhum lugar para sentar.

Por príncipios, já entendo que lugares laranjas ou azuis não devem ser usados por mim. Sei que eles são apenas preferenciais e por isso, posso usá-los se não tiver nenhum idoso, deficiente ou gestante por perto. Mas não sinto necessidade de usá-los já que a minha viagem até o trabalho é curta. Nem mesmo quando tem lugares verdes costumo sentar.

De toda forma, encostada na parede, tenho o hábito de observar quem é que está usando esses lugares no vagão em que estou.

Geralmente não são pessoas tão idosas.

Geralmente não são gestantes.

Geralmente não são deficientes.

Geralmente não são pessoas com crianças de colo.

Enquanto não entram pessoas nesse perfil, fico calma e tranquila. O problema começa quando percebo que entrou um idoso e ng se movimenta.

Meu sangue ferve, meu humor modifica e fico a ponto de bater em qualquer marmanjo cheio de saúde que esteja sentado.

Outro dia uma senhora, bem senhorinha mesmo, entrou no metrô que estava bem cheio. Não havia lugares disponíveis e uma garota de no máximo 25 anos estava sentada, de uma forma muito "elegante", jogada, num banco laranja.

Ela não se moveu.

Minha viagem , naquele dia pareceu durar um hora. Estava prestes a ir até ela e perguntar: vc é gestante? tem alguma criança com vc ou é dificente? pq idosa eu vejo que não é...

Perguntaria tudo isso e depois, com muita paciencia, explicaria que o metrô é instável, que ele dá umas freiadas fora de contexto e que a senhorinha, que mal conseguia se segurar na barra de ferro, poderia nao ter reflexo e força, necessários para não tombar.

Não sei o q ouviria depois disso, mas com certeza minhas artérias ficariam muito melhores.

Quando dei o primeiro passo, ela se levantou. E pensei: finalmente!

Nada. A estação dela tinha chegado.

Percebi nesse dia que educação e respeito agora têm cor. Porque a meu ver, não importa de que cor é o meu assento. Se percebo que tem uma pessoa que precisa sentar-se para viajar, levanto imediatamente para ceder o lugar, seja ele verde, lilás, azul, laranja ou amarelo.

A garota estava num lugar preferencial e não se moveu, mas não deixei de notar que as outras tantas pessoas que estavam sentadas em outros lugares, tampouco.

É aí que penso: se o ser humano é incapaz de se "sacrificar" por 10 minutos, para que uma pessoa com mais necessidades do que ele se sente durante uma viagem de metrô, do que mais ele é incapaz?

Agora entendo o que meus professores falavam e porque, antigamente, todos eram ensinados na escola a ter respeito pelo próximo...

Talvez devessem continuar ensiando.

Beijos, Ju

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